Retalhos de amor e adoção - PDF
Versão pdf do livro para ler no celular, tablet ou computador. A versão completa do livro que emociona contando uma história real de amor e adoção. 20 anos de história de uma família que encontrou o amor por meio da adoção tardia.
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Prefácio
Este livro é a realização de um sonho que guardei por
muitos anos.
Desejo compartilhar as voltas que a vida deu até nos
conduzir à adoção tardia — a nossa escolha para construir uma
família — e os capítulos emocionantes que vieram depois."
Quero compartilhar nossas experiências nessa jornada de
20 anos — desde a adoção até o presente momento.
Não pretendo ser exemplo de nada. Somos pessoas
comuns, com defeitos e virtudes, que fomos aprendendo,
tropeçando e crescendo ao longo do caminho que a vida nos
trouxe.
Vinte anos de histórias, condensadas em um livro. Vou
usar aqui uma metáfora que carrego desde a infância: a colcha
de retalhos.
Lembro bem daquela colcha que minha mãe fez. Grande,
colorida, cheia de pedaços improváveis: veludo bege, jeans
surrados de calças antigas, tergal azul, retalhos florais de toalhas
de mesa já desbotadas. Retalhos de tamanhos e texturas
diferentes, costurados com paciência, formando uma malha
irregular, mas forte e quente.
Nas noites mais frias do inverno aqui no Sul, aquela
colcha virava um casulo.
Meu pai sentado no sofá vendo televisão. Eu e meus
irmãos nos revezávamos — às vezes até em dois — sentados no
chão, entre as pernas dele, protegidos pelo calor do meu pai. A
colcha formava um casulo, nos envolvendo como se fosse uma
única coisa viva. O frio lá de fora não chegava nem perto, o
cheiro da lenha queimando no fogão, que ficava perto da mesa,
tínhamos certeza de que estávamos protegidos ali. Nenhum de
nós falava muito. Não precisava. A colcha fazia o serviço:
juntava corpos diferentes, histórias diferentes, temperaturas
diferentes, transformando tudo em um só abraço.
Hoje, olhando para trás, entendo que foi ali que aprendi
o que é família de verdade.
Família não é só quem nasceu junto. Família é quem te
cobre quando o frio chega. É quem te puxa para dentro do casulo
mesmo que você tenha chegado depois, maior, cheio de medos,
com retalhos de outra história costurados na pele.
Foi exatamente isso que tentamos fazer com o Jucemar.
Juntar os retalhos dele — alguns rasgados, alguns escuros,
alguns que ele mesmo tentava esconder — com os nossos.
Costurar com paciência, com amor, com muita linha que,
às vezes, arrebentava e a gente tinha que começar de novo.
E, aos poucos, fomos virando uma colcha só.
Irregular, colorida, cheia de remendos visíveis, mas
quente demais nas noites mais geladas da vida.
Essa é a nossa história. Bem-vindos ao nosso casulo!
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